quarta-feira, 29 de julho de 2009

Entregar-se

Teve uma esperança ainda.Sabia de uma desculpa para se encontrarem, não que precisasse de desculpa, mas assim seria melhor, não torceria tanto o braço.Ela não viu problema, topou o encontro.O telefone o deixou quase gago, tirou sua respiração, mas não queria esperar nada.
Desde muito tempo não se sentia nervoso com algo do tipo.Foi logo correndo para dormir e descansar um pouco, mas não conseguia.Passou a noite toda com o coração desparado, imaginando o que falar, o que fazer.Queria que saísse tudo perfeito, poderia ser uma chance, quem sabe.Sentiu-se vivo de novo.Alguém que tem com o que se preocupar, pensar.
A hora chegou e nele estava o medo.Um pulso de coragem e familiaridade, ele ainda a conhecia?
Tomaram o café da manhã juntos, embora tenha sido muito agradável, ele não soube muito ser ele mesmo, falar e falar, e rir, e sorrir.Estava impedido de demonstrar parte de seu amor e carinho, ainda sim demonstrando-o.Tentou ser mais racional, não queria iludir-se.O que se passava na cabeça de sua passarinha?
Enfim sós.Desesperadamente ofereceu água, subitamente correu para mostrar o que tinha aprendido, sofridamente tentou mostrar ser interessante.Foi um momento tenro, riam timidamente e só pensando no que aconteceria depois.Não queria pressa.Até que não havia mais nada a se fazer.Inspirou coragem e aquele perfume, queria senti-la, não sabia como.Aproximou-se meio sem jeito, ela não dava muitos sinais.Beijou-a.Esperou...Os olhares se cruzaram.Ela parecia achar estranho.Como que implorando beijou-a novamente,e agora os lábios da pequena se esticaram.E de novo, e mais uma vez.De ponta a cabeça se beijaram, e arrumaram-se.Ele queria muito mais que sexo,mas não queria jogar todo seu amor e saudade de uma vez em sua parceira.Foi como que aprendendo, sentindo os desejos dela, buscando o mar que havia em seus olhos, o amor que estava escondido, a chama que estava apagada.
Sofreu tanto todo esse tempo.Sofreu consigo mesmo, sofreu de saudade, sofreu com a solidão, sofreu, sim, no começo de dependência, sofreu depois por ver que já não dependiam, sofreu de ciúmes, sofreu como quem perde a inocência, sofreu de ilusão, por achar que todos esses meses tinha aprendido alguma coisa.
Aprendeu, de fato, sabia virar-se sozinho.Mas ainda amava aquela doce criatura, que agora estava quase selvagem.Não queria acreditar que havia sido apenas um sonho.
Seus corpos entrelaçaram-se como sempre tinham feito.O encaixe tinha se recomposto.O calor que sentia quase o forçava a implorar por mais daquele beijo, passou anos no deserto e achara água.Encarnou um papel de um homem menos emocional.Estava feliz.Faltou dizer que amava, dizer como havia esperado por um momento como aquele, como queria cheirar e beijar todo o seu corpo.Ao invéz de falar, só pensou e agiu.Tentava telepaticamente dizer para ela tudo aquilo, e o fazia.Beijou-a diversas vezes em seu ventre, onde queria esconder-se,beijou seus seios, queria tirar toda sua força dali, beijou seu sexo, que representava para ele naquele momento o cúme do amor,e segurou, e acariciou, alisava seu corpo, querendo nunca mais soltá-lo, mexia em seu cabelo, para lembrar-se de alguma forma inocente de amor, e como era bom,meu Deus,como era bom, segurar aquela mão, sentia encaixar e queria que seus dedos grudassem ali.
Quando ela o beijava, derretia uma parte da geleira que havia se formado em seu peito,quando via que ela o desejava, sua alma sorria e ria alto.Era um sentimento tão grande, não podia ser nunca mais achado.
Ela talvez não tivesse entendido o porquê de tudo aquilo, ele teria que explicar, se não, não sentiria que teria feito a sua parte.

Um comentário:

Tallyta disse...
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