sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Quinteto

Por uma força maior que qualquer outra, descoberta há pouco por esta criatura de espírito jovem e cabeça sempre cheia, uma vida foi mudada por completo.Ampliou sua visão e cabeça, fez com que nunca mais reclamasse e tivesse tempo para pensar besteiras.Entendiam-se de uma forma meio caótica e pertubada, desorganizada e descontraída que no fim sempre funcionava.Divertiam-se como nunca haviam feito na vida, aposto.
Na última noite beberam vodka até não aguentarem mais e a chuva deixar.Convesaram trivialidades, banalidades, sacanagem e juraram nunca mais se largarem.Era amor, finalmente.Aquilo que procurou durante muito tempo estava ali o tempo todo, embaixo de seu quase bigode, do lado de sua barba mal feita.Ria mais que nunca e era só o que havia pedido em suas preces noturnas à poderosa força superior, ou destino, ou só falava acreditando no poder do pensamento e das palavras.
No compasso da música frenética daquela tribo eles seguiam e ficavam cegos com aquelas luzes.Imaginavam-se em filmes e como seriam suas vidas daqui a alguns anos.Faziam tudo que podiam de forma a ficar marcado na história, naturalmente, sem precisar pensar que ficaria.É o relacionamento mais sincero e produtivo de todos os tempos.
Nunca mais se esforçaria para despistar um amigo e deixar que assim a amizade morra.Era muito mais difícil dizer a eles o quanto os amava do que à alguma mulher.E nunca foi preciso, os cinco sabiam que tudo era de verdade.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Mais um fim de ano naquela curta vida.Nunca se lembrava direito porque havia ficado meio triste no ano passado.Uma época de reflexão e de lembranças, cheia de uma dor que não podia mais machucá-lo, de um sentimento que não se podia mais sentir.E como para fechar um ciclo ele admitia todos os erros e que estava tudo acabado de fato.Assim conseguiria começar um outro ano de forma diferente.
Esse ano sentia que seria diferente de alguma forma.Nunca havia passado por tal fase, e como era maravilhoso!Sentia uma liberdade que os pássaros tinham inveja, um torpor que nenhuma droga poderia lhe causar, era como se tivesse encontrado um sentido para sua vida sem sentido.
Toda sua misticidade não precisava mais de ter fundamentos.Sua credulidade de que tudo ia dar certo no final era mais que absoluta, algo estava mudando em sua volta.Vivia coisas que nunca imaginou que fosse gostar tanto.Queria um ano novo como o ano passado, só que com aquela visão de mundo que possuía agora. Desperdiçara tanto tempo esperando por algo que nem ele sabia ao certo, só queria que fosse certo.
Desejaria à meia noite um grande amor, nunca mais perder amigos, nunca mais precisar de nada para ser feliz, tudo que possuía era suficiente, desejaria conseguir ampliar seus horizontes, enxergar onde nunca conseguiram.Queria cantar, batucar, dançar como o vento mandar e nunca mais se arrepender de nada.A vida é claro ainda lhe traria mil e uma surpresas, estragaria mais umas centenas de vezes seus planos, mas ele não queria perder seu dom de sonhar.
Quebrar a cara é ruim, mas é o que nos torna mais fortes e mais humanos.E como essa dor lhe deixava anestesiado.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Terapia

Havia esquecido do quão bom era poder se aliviar.Foi como se tivesse parado no tempo e no espaço.Estava em um transe mais que austero, num momento de introspecção profunda e medida, porém sem saber onde se queria ir.Estava em reconstrução, uma reforma para tentar construir um novo eu.Não tinha pressa, não mais se importava com nada.Tentava observar se o que tinha aprendido sobre amigos, família, amor ainda lhe valia.Sim.
Aprendia a cada dia como ser cada vez mais ele mesmo.Descobriu em sua reforma grandes e velhas teias de aranha, escorpiões, muita poeira.Seu interior não era tão puro e limpo como sempre tentou manter, ou demonstrou ser.Era uma farsa.E não havia ninguém com quem ele pudesse dividir esse segredo.Mesmo consigo vacilava em contar, em começar a dizer o que nunca devia ter pensado em fazer.
Sentia que estava quase pronto.A vida lhe sorria.Era como um sorriso de criança banguela, que perdeu os dentes da frente.Mais simpático impossível.Mostrando-lhe algo do que tem vergonha, seu tesouro, a prova de que já não é mais tão criança.Esta nova perspectiva lhe fazia esperança, tornava-lhe o mais puro e verdadeiro.Se antes tinha tentado ser esse diamante bruto e não deu certo, tinha caído em mãos erradas.
Garotas mais velhas sempre lhe foram mais atrativas.Como conversar era bom, e já tinham vivido o que ele, meio precoce, vivera também.A experiência que consumiu quase como uma bebida muito forte em seus poucos anos lhe deixava ansioso.Queria mais e mais, a vida de um gole só.
Sempre soube o que realmente importava, isso não mudava.O que mudava era seu modo de admitir tal importância, em como agradecia todos os dias por ter seu sorriso quase banguela, e seus olhos sonhadores.Não iria parar, jamais.Não sabia desistir dessas coisas tão importantes.O amor lhe era fundamental.Em sua essência sabia que não havia o que temer.O barco andava no ritmo da tempestade.
Lutaria contra si mesmo para embarcar em outra.Mesmo que fosse apenas a travessia do lago de jangada.Sentia sua grandeza, sua força de ser quem é.Não queria mais apenas ser agradável, agora que sabia de seus próprios podres.Redimia-se todos os dias sendo finalmente ele mesmo.

sábado, 1 de agosto de 2009

espera nça

Como pode alguém renunciar ao sentimento de grandeza e de plenitude?Como pode alguém não querer o amor?Achei que todos nascessem prontos para amar, com esse dom, ou maldição.
Pelo que já conheci do mundo descobri que não se pode fazer essa escolha direito.As coisas, por alguma razão desconhecida, sempre acabam levando as pessoas umas às outras.E existe um tendência nos seres humanos de se juntarem e de quererem ser especiais, ou diferentes, ou apenas ter alguém para conversar, chamar pra comer alguma coisa, ir ao cinema, etc.
Essa era a sua espera.Sabia que quando se sentia isso por alguém, mais cedo ou mais tarde, você acabaria sendo guiada àquela metade.Saudade, pensamentos, tentativas de substituições...Não é o mesmo cheiro do perfume que você mesmo deu, nem o mesmo beijo praticado durante um bom tempo, nem o mesmo abraço que encaixa perfeitamente, muito menos o sorriso, e a boca da qual não conseguia tirar os olhos.Essa era a sua esperança.Nada é por acaso, o acaso tinha morrido para ele tinha tempos.Surpresas ainda serão reveladas, e acho que já sei o que era tão bom pra ele que estava chegando.
Talvez, se um dia as coisas morrerrem
, nada disso realmente terá sido tão real.Amizades, coleguismos, simpatia só serão provadas com o tempo.A única e verdadeira prova daquilo que existe.Agora vejo que quando disse que só conheço realmente alguém após 5 anos estava iluminado por alguma sombra inteligente.
E ficava pensando...Nunca foi muito de se entregar à amizades.Demorava um pouco a aceitar as pessoas e a realmente confiar nelas.Não tem porque ser diferente com alguém que te beija.Ou será que não tem porque não se entregar às amizades também?
Seria assim agora.Amaria seus amigos como amava a vida, com seu jeito de amar.Tudo estava fazendo sentido.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Poeta por inteiro

Ficou se perguntando como pôde durante tanto tempo fugir das pessoas, ser alguém sozinho?Quando menor, nunca saia com os amigos nas férias, nunca voltava na velha escola, não queria manter os laços que um dia teve.Era como um profissional, sabia que era só por ali e pronto, acabou.Tudo havia mudado.Descobrira o tesouro que havia dentro de cada um, e queria espalhar-se para no fim de sua vida poderem juntar-lhe novamente.
Talvez estivesse indo pelo lado errado.Talvez tirar o máximo de alguém não fosse a maneira certa de fazer.Agora, queria viver como um poeta moderno, ter mil amores, quem sabe um para cada estação.Havia muito para dar e receber, e não achava ninguém que quisesse.Então quando a primeira oportunidade aparecesse, será que conseguiria?Não queria mais ser certo, queria ser torto, gauche.Não mais pensar no que não gostaria que fizessem com ele, mesmo assim o fariam.Então que fosse indo, saindo pela diagonal, com um sorriso safado, e umas palavras prontas para usar.Viveria o mesmo amor mil vezes, até achar um que fosse por inteiro.Se achava e se perdia, a cada dia se enchia de esperança.Não sobrou mais nada...Apenas esperava por uma resposta prometida da qual já sabia que não ia gostar muito.Já sabia o que fazer, e sendo assim já o fazia.
E que seja eterno enquanto dure.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Entregar-se

Teve uma esperança ainda.Sabia de uma desculpa para se encontrarem, não que precisasse de desculpa, mas assim seria melhor, não torceria tanto o braço.Ela não viu problema, topou o encontro.O telefone o deixou quase gago, tirou sua respiração, mas não queria esperar nada.
Desde muito tempo não se sentia nervoso com algo do tipo.Foi logo correndo para dormir e descansar um pouco, mas não conseguia.Passou a noite toda com o coração desparado, imaginando o que falar, o que fazer.Queria que saísse tudo perfeito, poderia ser uma chance, quem sabe.Sentiu-se vivo de novo.Alguém que tem com o que se preocupar, pensar.
A hora chegou e nele estava o medo.Um pulso de coragem e familiaridade, ele ainda a conhecia?
Tomaram o café da manhã juntos, embora tenha sido muito agradável, ele não soube muito ser ele mesmo, falar e falar, e rir, e sorrir.Estava impedido de demonstrar parte de seu amor e carinho, ainda sim demonstrando-o.Tentou ser mais racional, não queria iludir-se.O que se passava na cabeça de sua passarinha?
Enfim sós.Desesperadamente ofereceu água, subitamente correu para mostrar o que tinha aprendido, sofridamente tentou mostrar ser interessante.Foi um momento tenro, riam timidamente e só pensando no que aconteceria depois.Não queria pressa.Até que não havia mais nada a se fazer.Inspirou coragem e aquele perfume, queria senti-la, não sabia como.Aproximou-se meio sem jeito, ela não dava muitos sinais.Beijou-a.Esperou...Os olhares se cruzaram.Ela parecia achar estranho.Como que implorando beijou-a novamente,e agora os lábios da pequena se esticaram.E de novo, e mais uma vez.De ponta a cabeça se beijaram, e arrumaram-se.Ele queria muito mais que sexo,mas não queria jogar todo seu amor e saudade de uma vez em sua parceira.Foi como que aprendendo, sentindo os desejos dela, buscando o mar que havia em seus olhos, o amor que estava escondido, a chama que estava apagada.
Sofreu tanto todo esse tempo.Sofreu consigo mesmo, sofreu de saudade, sofreu com a solidão, sofreu, sim, no começo de dependência, sofreu depois por ver que já não dependiam, sofreu de ciúmes, sofreu como quem perde a inocência, sofreu de ilusão, por achar que todos esses meses tinha aprendido alguma coisa.
Aprendeu, de fato, sabia virar-se sozinho.Mas ainda amava aquela doce criatura, que agora estava quase selvagem.Não queria acreditar que havia sido apenas um sonho.
Seus corpos entrelaçaram-se como sempre tinham feito.O encaixe tinha se recomposto.O calor que sentia quase o forçava a implorar por mais daquele beijo, passou anos no deserto e achara água.Encarnou um papel de um homem menos emocional.Estava feliz.Faltou dizer que amava, dizer como havia esperado por um momento como aquele, como queria cheirar e beijar todo o seu corpo.Ao invéz de falar, só pensou e agiu.Tentava telepaticamente dizer para ela tudo aquilo, e o fazia.Beijou-a diversas vezes em seu ventre, onde queria esconder-se,beijou seus seios, queria tirar toda sua força dali, beijou seu sexo, que representava para ele naquele momento o cúme do amor,e segurou, e acariciou, alisava seu corpo, querendo nunca mais soltá-lo, mexia em seu cabelo, para lembrar-se de alguma forma inocente de amor, e como era bom,meu Deus,como era bom, segurar aquela mão, sentia encaixar e queria que seus dedos grudassem ali.
Quando ela o beijava, derretia uma parte da geleira que havia se formado em seu peito,quando via que ela o desejava, sua alma sorria e ria alto.Era um sentimento tão grande, não podia ser nunca mais achado.
Ela talvez não tivesse entendido o porquê de tudo aquilo, ele teria que explicar, se não, não sentiria que teria feito a sua parte.

sábado, 25 de julho de 2009

Velhos amigos pra quê te quero?

Tudo fora por água abaixo, sim, seu plano maluco de isolamento era um fracasso.Percebera a tempo.Passara o dia todo com velhos amigos.Amizades simples, bobas,cheias de histórias para contar.Passaram o dia relembrando coisa incríveis e conhecendo amigos dos amigos, e descobrindo que aquela conversa lhe causava a grandeza.
Como ousara se afastar deles uma vez por tanto tempo?Que desperdício...Eles faziam a vida valer a pena, ter algum sentido, lhe tiravam a solidão.Podiam ter o silêncio e não se incomodar, podiam falar por horas e horas, sem cansar e sem nenhum dos 4 irritar-se com alguém.
Não precisava de mais solidão.Não estava mais só.Soube que seu medo era por se sentir inseguro, por ter alguém que lhe conhecia e conhecer alguém de verdade.É fácil conversar com uma nova pessoa, nunca conversaram sobre nada, há muito o que conversar.O gostoso é conversar e crescer junto, e ensinar, e aprender, e se divertir com algum amigo de mais de 5 anos.Ainda acho que somente depois de 5 anos realmente se conhece alguém de verdade.
Eles estariam sempre ali, para ele, eram da família, e ele era da família.Conversavam sobre tudo, faziam os melhores programas por mais que não fossem muito atrativos à outros olhos.Eram completos.Sentia-se completo de novo.Toda sua complexidade era desejar o simples.Amigos para sempre...e se isso não fosse para sempre, aí sim estaria bem surpreso.Mulheres vão e voltam com o vento, num avião para o outro lado do mundo.Eles o levariam junto e quando voltassem nada estaria diferente.
Como o mundo era pequeno...Ele os carregaria para a grandeza, eles o achavam engraçado, seu modo de tentar mudar alguma coisa no mundo, e apoiavam e iriam atrás.Estava livre por enquanto de seu plano-castigo.Vejamos por quanto tempo se manteria estável.Suas fraquezas pareciam só fraquezas agora...