terça-feira, 21 de julho de 2009

Tempo

Queria saber ser mais engraçado.Não que fosse um cara super sério, e sem graça.Longe disso, eu acho.Era dum humor medido, movido a reação alheia.Se estivesse entre velhos amigos, ou pessoas animadas suas piadas faziam sucesso até.Só gostava de rir, sentir-se mais leve, jogar um charme com o sorriso cativante.Por que não funcionou dessa vez?
Talvez não surtisse mais o mesmo efeito sobre ela.Talvez ela ao olhar para ele não visse toda profundidade desejada, ou nem visse o mesmo sorriso, e doces olhos, e a tal forma carinhosa de se aproximar que havia lhe conquistado.
Sentia-se meio perdido.Como as estrelas cadentes chegavam até nós?Seriam realmente estrelas?Será que elas caiam aqui dentro ou só passavam lá fora?E queimavam por conta do atrito, ou seria aquele o brilho das estrelas?
Sua sorte parecia comprometida...O que faria?Estava com ela, e agora que pareciam não estar mais tão juntos (mas de alguma forma sabia que ainda estavam ligados,sentiu que ela o queria e não queria,e ele a queria e não queria também,mas só depois dela não querer e querer) São Longuinho parecia ter esquecido de seu companheiro, as coisas morriam aos poucos.
A cura para a loucura já havia sido liberada no Brasil?Nunca conheci tantos futuros psicólogos,psiquiatras,psicoterapeutas...Por que o Destino pregava-lhe tal peça?O mundo ainda conspirava com eles;o mundo estava meio que sozinho,embora fosse muito mais sábio e já soubesse de tudo que ia acontecer,provavelmente.
Só conseguia pensar numa coisa...Histórias para contar.Isso era como um objetivo de vida, uma meta, uma razão para seguir.Queria espalhar sua essência pelo mundo, contagiá-lo de si mesmo, conhecer e reconhecer a vida.Era só uma questão de tempo...O tempo,sempre ele,lhe ensinaria mais e mais.

domingo, 19 de julho de 2009

Esquecer

Toda vez antes de se perder procurava por ela.Antes de sair para qualquer tipo de programa,achava que ela poderia estar por lá.Perder é jeito de falar,porque talvez nunca antes estivesse tão consciente.E como é bom.Ser mais sincero consigo mesmo,pensar só em si e em mais ninguém.Nunca tinha provado tal sabor da vida.Aprendeu tanto em tão pouco tempo,incrível.
Foi doce!Como se tivesse sido aberta a porta para um outro mundo.Antes havia disso também,mas não sei porquê agora é diferente.As amizades eram fortes, e divertidas.Nada mudou.O que tem mudado era ele.Acho que se dedicava muito aos outros...E jamais tinha percebido que sendo apenas legal consigo seria bom do mesmo jeito.Sempre soube que a felicidade atraía felicidade.Se fosse animado e alegre, atrairia essas coisas.E funciona.Mas havia uma certa preocupação com isso...Não há mais.Apenas vai, carregado pelo vento ou alguma força da física inexplicável.
É chegada a hora em que se perde toda a crença em tudo aquilo que se acreditava.Não chega a ser desistência,não chega a ser derrota.Está mais para aprimoramento,talvez até uma defesa.Mas não quer se defender do mundo.
É intuitivo,não pensa.Sentia grandeza em seus atos,grandeza para consigo mesmo.Quebrando seus próprios limites,indo além de seu reles corpo humano.Sendo talvez o que sempre desejara,mas sozinho.
Aquela doença havia o infectado, inalou e sugou no beijo a tosse do entorpecer.Fora entorpecido, na dose certa para, se quiser, poder se curar.Como podia tanta beleza e poder ser tão dócil e gentil?Talvez a sorte estivesse lhe mostrando uma chance, algo para não desistir de ser ele mesmo.Não desistiria...Nunca havia se traído.Quando todos foram para faculdade, ou mudaram de escola, pareciam ficar com medo de continuar com a velha companhia(refiro-me a parceiro amoroso).Vai que tem algo melhor lá...Que ridículo!E se não houvesse...Não passava de uma desculpa para não se sentirem presos.Ou livres.Livres da procura do que talvez seja a razão da vida.Livres por poderem sentir a maior alegria que alguém pode, por estarem mais completos que todos, e não saber explicar nem o porquê.O mistério dos sentimentos é o segredo para a felicidade.Se souberem o porque talvez nem haja graça.Às vezes,queria escrever, pensar sobre ela.Mas não sabia se devia, ou se eram apenas pensamentos ruins que devia afastar.Afastou.Ela quis assim,fazer o quê?

sábado, 18 de julho de 2009

Epifania

Tive epifanias.Parece que finalmente comecei a viver.Após um tempo como zumbi,retomei as rédeas de tudo.Não o tempo todo estava morto, apenas as últimas semanas.É como se tudo que eu tivesse buscado houvesse desaparecido.A vida é uma eterna busca.Quando se acha parece que tudo perde o sentido,e aí se busca de novo.
Agora achei o que buscar.Nunca fui muito de ficar mudando esse buscar,pois todos mudavam sempre.Meu buscar era insistir na mesma busca,sugar o máximo do suco da vida do que me cercava.Para falar a verdade,acho que é a primeira vez que busco outra coisa.
Quero achar-me completo.Sentir por cada vez mais tempo o que chamo de grandeza,que é quando se sente a graça, sente-se a capacidade, o poder, sente-se parte do mundo, da vida, das pedras, da terra, das plantas, das pessoas.Já não sei se quero uma compania,a que eu mais desejei já se foi, e de uma forma estranha que ainda tento entender.Um abraço sincero de uma desconhecida conhecida numa fila do teatro, pareceu-me mais real que muita coisa nessas semanas.A vida é um sonho.Minha vida é um sonho.O real nunca é tão real quanto aqui dentro da minha cabeça.Um sonho sonhado sozinho, é apenas um sonho;um sonho sonhado junto, é realidade.
Nunca senti tanta fome por escrever,parece que realmente acordei agora,depois de muito tempo em transe.Escrever me traz a sensação de grandeza,ou do que chamo de grandeza.Descobri porque escrevo.No começo usava palavras de outros,repitidas,para tentar concretizara vontade de sentir alguma coisa.Cartas para algumas garotas,declarações.Coisas que não sei se eram a pura verdade.(Eu tinha pouca idade,uns 13,14 anos,achava-me vazio naquela época.Não gostava daquilo de todos os garotos gostarem da mesma menina,o que seria das outras?Por isso devo ter me rebelado primeiro.Nem por meus pais,não tinha isso que hoje sei que são sentimentos.Era oco.Talvez houvesse amor e eu não sabia reconhecer...Mas sentia-me forçado a demonstrar, tentar sentir algo.E agora eu sinto!)Escrevo, hoje, porque preciso.Sinto-me vazio quando não escrevo, não boto para fora a loucura diária que me impreguina.Um fantasma que nada faz.
Escrever é minha forma de existir, e só agora percebo.Escrevo para mim, para melhor entender o mundo, e me comunicar com ele.Acho que escrevendo posso ajudar alguém a se entender, e aconselho e já aconselhei a escreverem.Escrevo para você que me lê, para qualquer um que queira ler.Escrevo como quem quer mudar o mundo, como quem ainda tem esperança.Confesso ter pretensões como escritor, quero ser lido.Se for por alguém já está bom.Alguém que converse e comunique, que me acrescente o que me falta: Sal,açúcar,azeite?Quero ser grande.
Achei que pelo amor conseguiria ser grande.O amor já não me basta.Quero amar-me de uma vez.Engolir-me e saciar o outro ser que vive em mim.Minha cabeça vai mais rápida que a velocidade do som.Por isso me atrapalho.Minha cabeça é devagar como uma lesma,por isso me atrapalho.Sou tudo ou nada.O meio não me basta por muito tempo.Ardente, constante, presente.Sou pai, irmão, marido, quero ser tudo ao mesmo tempo.Por isso me atrapalho.Já cansei de trapalhadas.
Tenho sede de amar.Depois que descobri como é bom não ser vazio,tornei o amor uma meta.E não tenho medo de dizer.Descubro muitos tipos de amor.Disseram-me "eu te amo" para mim algumas vezes.Sem ter porquê,sem esperarem nada,do nada,do tudo,com medo,confessando,em segredo,do ventre,do filho,escutei o mundo dizer-me uma vez.Mas não amo a tudo e a todos.Eu odeio.Odiei-me, enraiveci-me, quis parar pelo meio.Já fiquei com raiva de mim mesmo por ter raiva,ou por amar demais,ou por não amar demais.
Vi uma estrela cadente ontem,pela segunda ou terceira vez na vida.Caiu praticamente em meu jardim,acho que a derrubei com o olhar perdido,de quem procura algo no céu.Um fogo muito intenso que se apagou rapidamente,só restando as poucas centelhas que também apagaram-se,um pouca mais devagar.Nem sabia o que pedir.Pedi o que tinha costume de pedir,e pensar que queria.Mas nem sei se quero mais.No fundo quero, mas quero esquecer que quero.Fazer o quê?Sou apenas humano,tirando meus momentos de grandeza.Busco no céu,às vezes,enxergar-me.Queria ser como elas.Queria poder estar acima do céu, solitário e radiante.
O vazio de antigamente me parece bom.Sou sozinho e sei que vou ser.Pelo menos não tenho mais medo.O futuro é um passado da frente.O agora que me prende.Busco a vida e na vida busco um motivo para ser, um sentimento, um sorriso.Adoro quando falam de meu sorriso, e de meus olhos.Parecem falar de minha alma.Sou o que me tenho, tenho o que sou.O que mais me impressiona é que nada é para sempre.O futuro está cheio de passado,mas o passado parece insistir em mudar.A vida é tão curta...Posso morrer amanhã.Onde estarei?Acho que longe, pelo menos o bastante para não lembrar daqui.A vida é bruta.Estou feliz e triste ao mesmo tempo.E lá vem o Destino mostrar-me mais uma vez,aqui em casa mesmo, que é tudo muito complicado.Achei que eu estava livre de tudo, que a grandeza me dominaria e levaria-me embora.Mas bem aqui, cai de novo.
Cansei...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Quando se tem a certeza do mundo.Quando tudo que se aprendeu durante meses e foi compartilhado com uma mesma pessoa.Quando tanto esclarecimento e algo que chamo de grandeza(momentos que te fazem sentir que está no caminho certo,que a vida é bela).Quando tudo isso mais parece uma ciência exata do que apenas sentimentos.Não deu?
Não entendo...Nem tive a chance de um último suspiro...Quando se acha que a verdade é o caminho,e que toda distância tornaria as coisas mais saudáveis,como tinha sido até então.Quando a vida se mostra mais interessante...É claro,é importante estar aberto às oportunidades,nunca privei nenhuma
.Conhecer alguém de verdade vale mais ou menos do que conhecer mil pessoas?Qualidade ou quantidade?
O que era,ainda é de certa forma...Vive dentro de mim.Ainda não voltaste.Coisas foram ganhas e perdidas,as lembranças já não abrem feridas.Haverá algo ainda melhor à minha espera?Foi-se o tempo da lamúria,foi-se o tempo da paixão...Parece que dorme em meu coração um gigante.Não sei se quero que acorde,estremecerá por dentro minha estrutura e se cruel for,facilmente a dor vem.
Estou cansado...não tenho medo,nem segredos...Aguardo um vento que me leve prum lugar seguro.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sonhos perdidos em meio a comida.Almoço,janta,café da manhã parecem-me um ritual complicado algumas vezes.Não tenho aquela velha concentração límpida e ríspida de devorar um prato em minutos.Tenho muito mais para carregar e digerir.Pensamentos complicados,dúvidas,besteiras...Qualquer coisa é mais interessante ao meu estômago.Minha azia queima como o fogo das profundezas.Indigestão é comum,mesmo após comer apenas uma simples azeitona.Quero viver de ar,fumaça,cheiros,de você.Quero que essa certeza que vive em mim agora,seja eterna.Quero tua pele branca,lisa,macia;teus olhos profundos e redondos;tua boca carnuda com sabor de prazer,e pecado;teu corpo curvo e perigoso,cheio de atalhos só para eu me perder.
A fome mata.A saudade mata.E se não mata,morre...Uma morte pela boca,que nem os mais dignos glutões teriam,muito menos os mais famintos lobos.A morte por dentro,aos poucos,do que costumava-se chamar alma.
E não só quero matar a quem me mata,quero destroir a quem te destroi.Deve ser por isso que corro contra o limite espaço-temporal existente entre nós,fingindo que esses tais tempo e espaço não existem.Provavelmente esta fome me faz ser assim,dominador,conversador,curioso,chato...Peço desculpas.Muitas vezes vai sem querer,e quando vejo te dominei.Nem sempre gostas.
Preciso de alguma forma saciar-me e só você pode me dar um aperitivo enquanto o prato principal não vem.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Indecisão

Nunca havia sido indeciso,na maioria das vezes pelo menos.Quando queria,queria e brigava.Quando sofria,chorava;quando não sabia,descobria e perguntava;quando amava,dizia,lutava e só desistia se visse que não tinha mais jeito,que era coisa só dele,incorrespondido.
E um dia se deparou com aquela situação esquisita...Tudo que havia lhe "pertencido" parecia perdido.Teve muitos altos e baixos,muitas quedas(e daquelas de escada),muitas subidas.Só o que havia agora era a lembrança de seus momentos de glória.Por que aceitou aquela proposta absurda?Por que não fez birra,e chorou,e brigou,e gritou?A aceitação parecia tão certa,tão mais fácil para todos os lados...E quem disse que esse caminho era o certo?O passado refletia no futuro,cegando quem tentava enxergar algo mais.
No além existia apenas a verdade,sobre eu,você,nós e o resto do mundo.Sobre como saudade,arrependimento,amor,paixão,traição,tristeza,lamento mudam o que está entre nós e dentro de nós.
Um maior entendimento,compreensão é o que falta em momentos de escolhas assim.Escolher entre dois amores,um já vivido,experiente,com muito conhecimento,cheio de promessas,o outro novinho,doido pra crescer e explodir,cheio de promessas também...O que fazer?Como ter coragem de jogar tudo pro alto e jogar-se junto?Dividido quase no meio,enganado por si mesmo,sufocado pela agonia de não ter agido.
Se tivesse um pouco mais de paciência teria levado um pouco mais,experimentado um pouco além,e quem sabe até tomado uma decisão.Ela era diferente,mais doce das doces,firme,segura,um mimo,um brilho,uma jóia daquelas que aparece no meio do caminho e não sabe-se direito o que fazer.Você se apega,cria um afeta,gosta mesmo,mas sabe que não é sua.
Escolheu por viver não vivendo,por mal viver,viver,talvez,uma ilusão,um sonho,que tem certeza alguns dias e outros só a insegurança.Quem sabe por uma coisa própria dele,quem sabe não é só a distância,a saudade,a carência,e tudo junto.Dividido quase no meio.
Não pode ser inteiro de qualquer forma.Podia ter tentado,tolo.E se a tentativa desse certo,abriria mão do outro amor,quando este retornasse?Questãozinha complicada de doer os córneos...Não há mais nada a se fazer,ou há?

sábado, 18 de abril de 2009

Um infinito dentro de mim
Sombras,escombros,vazios,perdidos
Um planeta inteiro me divide
Impotência humana,fraqueza divina
será que há outra vida?
Eu queria mais e mais,
todo e qualquer tempo é pouco
És o que me falta...
e falto comigo mesmo,
meio para me punir,por não ter a paciência com tanta falta
Falto com dor e sinceridade

Um complexo inteiro de complexidades
Desliza em mim tua saudade,gosto de senti-la
Impregna-me com aquela velha alegria
Memórias,coisas velhas que guardo embaixo das pálpebras
E não canso de piscar os olhos para não esquecer
Cheiros,gostos,texturas...Tudo ainda mora aqui.

Um,dois,até três pedidos por noite,se tiver com sorte
E todos com um único desejo:você
carros fortes,cerejas,estrelas...
Intoxicado por um veneno q não mata,fortalece.

Estações não me dizem nada,só preciso estar na certa
e ser certo na hora certa...
naqueles tempos toda hora era hora
Meu tempo bate com o teu
não são precisos relógios,há mais que uma conexão.
Estamos compassados por um ritmo que explode no peito,sempre foi assim.

Ninguém nunca soube,nem há de saber
algo que só eu sei e você
Sinto a força maior nos empurrando
como se estivéssemos emburrados...
Ah!Tola força maior.Não és necessária.
Nossa grandiosidade nos escapa
nos é incompreensível...mas sinto-a.

Encontrei numa forma humana a razão da existência
Como num sono profundo,vou e volto,e sem sair do lugar
viajo,conheço tudo que preciso.
Contento-me com minha grandeza espiritual
Virtuosidade para vender e comprar uma passagem pra te ver.

Volta logo passarinha
Não é permitido felicidade dividida
tem que estar tudo junto e misturado
com gosto de nós.